1 COMENTÁRIO

  1. Hoje acompanhamos a última pá sobre o túmulo da democracia contemporânea brasileira. Nada a ver com Portos e sim com Porcos. Sujeitar o Senado para em um dia conhecer, entender e aprovar uma medida provisória alterada na madrugada do mesmo dia é a demonstração concreta do esvaziamento da autonomia e independência do SENADO e sua total sujeição aos interesses externos. Vai ser uma derrota amarga. Decepciona. Depois desta humilhação cabe a rendição cerimonial do SENADO na promulgação da lei dos Porcos.
    Contrariamente às afirmações recorrentes de que a consciência de um Senador ou ideologia tradicionalmente vinculada a este não têm tido fontes legítimas, os Senadores têm rotineiramente considerado essas questões, mesmo que por vezes velada. Suas preocupações e objeções aos métodos do Governo são reais, pois definem o seu preço. Qual o preço do Senado?
    No Congresso Nacional nesta última terça faltou sacrificarem um bode para abrandarem os diversos deuses que comandam os parlamentares. Tudo isso embasado por um Regimento Interno que permite a figura excêntrica da “Obstrução”.
    Na minha singular visão, que é a de um bobo, a pauta deveria ser dada com antecedência de no mínimo um mês, permitindo o estudo e aprofundamento por parte dos Deputados e seus assessores. Posteriormente todos poderiam votar nominalmente e eletronicamente por um dispositivo móvel de onde estiverem não exigindo presença física no Plenário. Ficando as reuniões presenciais obrigatórias no plenário restritas para sessões especiais como a de Promulgação de Leis, alterações à Constituição e segurança nacional.
    Tem que acabar com sessões extenuantes que entram pelas madrugadas estrategicamente colocadas a “toque de caixa” para atropelar pela desorientação e cansaço uma possível oposição.
    Tem que acabar com o entra e sai de Deputados no Plenário ora dando quórum ora não e a apresentação de destaques e o levantamento de questões de ordem apenas para tumultuar e protelar uma sessão.
    Tem que acabar com acordos prévios do colégio de líderes que usa seu poder e influência para manobrar os votos do baixo clero e tirar destes a prerrogativa de votarem conforme sua consciência e interesse daqueles que nestes votaram.
    Na opinião do povo simples e comum que represento o Deputado tem como maior obrigação votar com pleno conhecimento do assunto e suas consequências respeitando o interesse dos seus eleitores. Podem até se unirem em interesses comuns aos seus eleitores, mas nunca usarem sua prerrogativa democrática como palanque ou como uma disputa egocêntrica, vaidosa, egoísta, irresponsável, fútil, gananciosa, cega e malograda por poder em suas mais diferentes e diversas facetas, nuances e esferas.
    Eu tenho absoluta certeza que o grande problema do Congresso Nacional não é a falta de esforço e trabalho dos seus integrantes. O que esta estragando o Congresso é a esperteza diante de um Regimento Interno criteriosamente construído para permitir uma total rendição do Legislativo aos interesses do Executivo. Dividir para Governar não é uma ação nova. Que diga o PMDB que deveria se chamar (sugestão) PSMDB (Partido Subdividido do Movimento Democrático Brasileiro).
    Ahh! Vale explicar para alguns Deputados possivelmente incautos que a intermodalidade, à geração de novos empregos e o aumento na movimentação de cargas no país fortalece o setor de logística no mercado nacional e interessa mais aos brasileiros do que suas intrigas colegiais e infantis.
    Sérgio Alberto Bastos da Paixão
    http://www.facebook.com/sergio.paixao.35