Há tempos eu venho falando que é urgente que se faça uma auditoria na dívida pública brasileira. Na campanha presidencial de 2014 insisti diversas vezes nesse assunto nos vários debates, entrevistas e na propaganda partidária do PRTB. Expus, através de números e dados, que não é possível que sigamos dessa forma. Precisamos entender de forma definitiva como a dívida pública cresce em níveis alarmantes e nada é feito para que ela seja controlada. A atuação dos bancos precisa ser revista, pois eles estão contribuindo de forma ativa para a deterioração das contas do governo, que parece simplesmente não se importar. O elevado percentual do Orçamento destinado ao pagamento dos juros é crucial para que as contas cresçam dessa forma desproporcional

A dívida pública é a soma das dívidas contraída pelo governo com o objetivo de financiar os gastos não cobertos com a arrecadação de impostos. Essa dívida é formada tanto por empréstimos internacionais quanto pela emissão de títulos do governo, comprados por investidores com o objetivo de obter remuneração futura por meio de juros.

O gasto com a dívida pública no ano passado foi 25 vezes maior que o total de investimentos feitos pelo governo federal. O sistema do Senado aponta um gasto de R$ 962 bilhões com a dívida, ante R$ 38 bilhões em investimentos. Ou seja, algo está muito errado. Mas, ao invés de aceitar a auditoria, Dilma Rousseff a vetou! Na última quinta-feira, com uma publicação no Diário Oficial da União, o veto foi oficializado.

Segundo o governo, “O conceito de dívida pública abrange obrigações do conjunto do setor público não financeiro, incluindo União, Estados, Distrito Federal e Municípios e suas respectivas estatais. Assim, a forma abrangente prevista na iniciativa poderia resultar em confronto com o pacto federativo garantido pela Constituição. Além disso, a gestão da dívida pública federal é realizada pela Secretaria do Tesouro Nacional e as informações relativas à sua contratação, composição e custo, são ampla e periodicamente divulgadas por meio de relatórios desse órgão e do Banco Central do Brasil, garantindo transparência e controle social. Ocorrem, ainda, auditorias internas e externas regulares realizadas pela Controladoria Geral da União e pelo Tribunal de Contas da União.”

Uma forma rebuscada de dizer “não”. Não haverá auditoria. Não haverá qualquer explicação. Não haverá uma justificativa para que o governo siga gastando de forma exagerada em algo que a população nem ao menos consegue entender, pois não obtém as explicações que tanto precisa e quer.

Mais uma vez, Dilma toma uma atitude protecionista e que pensa apenas em resguardar informações que poderiam colocar em risco a sua abalada governabilidade. Mais uma vez, Dilma e o PT pensam apenas em si mesmos, deixando os brasileiros de lado. Lastimável!