O cadastro dos brasileiros poderá ficar em mãos estrangeiras, acusa Levy Fidelix

Contumaz crítico da proposta de cadastro unificado nacional, projeto sancionado por Temer, Levy Fidelix, presidente do PRTB, não foi brando em seu julgamento. Segundo ele, “é a implantação final do chip da BESTA 666”. “Quanto custará? Quem ganha com isso? Por que o TSE tem de estar atrelado nisso, se a função do mesmo consiste na organização das eleições, da democracia e do sistema eleitoral?”, questionou.

Segundo Fidelix, todo o projeto da nova ICN – Identificação Civil Nacional – é temerário. “Isso deveria ser função do Ministério da Justiça e da Polícia Federal. É muito estranho, bastante temerário. Gastarão bilhões do povo, em plena crise, em algo não prioritário e perigosíssimo por centralizar muito poder informacional nas mãos do Estado”.

Para ele, há outras prioridades ao se considerar a conjuntura nacional. “Educação, saúde e segurança precisam estar à frente! Qual o sentido de gastar uma fortuna justamente nesta hora, em que o Brasil padece de uma profunda crise e carece de recursos para os serviços mais elementares?”, destaca.

O maior alerta do ex-presidenciável se refere à soberania nacional e ao resguardo de informações dos cidadãos. “Temer vetou a exclusividade da Casa do Moeda, de maneira que empresas, inclusive estrangeiras, terão acesso aos dados dos cidadãos. É a internacionalização dos dados dos brasileiros! E as campeãs neste tipo de tecnologia, inclusive com chip, são francesas e americanas. Virão para o Brasil com preço baixo e teremos todo o nosso cadastro em mãos alheias”, alega.

Aprovação no Senado

No mês passado, Levy Fidelix fez grave ataque após aprovação, pelo Senado, de chip único para cada cidadão: “Querem implantar o 1984 de Orwell, o chip da BESTA 666”. No último dia 5 de abril, o Senado aprovou a criação do documento único de identificação nacional, um documento que reuniria os dados de vários documentos de identificação utilizados atualmente, como RG, CPF, título de eleitor, etc.

Para a criação do documento, o Tribunal Superior Eleitoral criaria um banco de dados unificado, reunindo dados de várias esferas.

Críticas

O presidente do PRTB, Levy Fidelix, alertava, desde a apresentação do projeto, para os motivos espúrios por trás da nova lei. Segundo ele, há diversos motivos para se opor ao projeto que unifica os cadastros do cidadão.

Mencionando o temor popular que associa o chip ao “número da BESTA”, Levy Fidelix disse que há motivos concretos e imediatos para preocupação. Segundo Fidelix, “querem gastar uma fortuna – mais de um bilhão de reais – para concentrar todos os registros das pessoas em um só”.

O presidente do PRTB enfatiza que, com todos os dados unificados, o governo federal adquire um controle desproporcional sobre a vida de cada cidadão. O governo poderia, por exemplo, transferir os dados para o SERASA ou as federações de bancos, mas poderia também utilizar esses dados para perseguição política. Um cadastro unificado facilitaria enormemente o controle sobre a vida pessoal, o que Levy Fidelix chama – fazendo alusão ao livro 1984, de George Orwell – de “o domínio do big brother”.

O presidente do PRTB lembra que, na Venezuela, os cartões de identidade são utilizados para controlar o consumo de cada família, impedindo que as pessoas comprem além de suas quotas. E resume: “E a liberdade? Vai acabar”.

Por fim, Levy Fidelix lembra que pode haver intenções ainda mais espúrias por trás do projeto: “E ainda vão faturar – muito – em cima de nós. Não vão seguir a Lei de Licitações, vão achar uma empresa com “notória especialização” para faturar bilhões”. Fidelix alerta: “Estou desconfiado que alguma coisa ruim vem por aí. Vamos prestar atenção. A BESTA 666 vem aí”.

Leia a íntegra e assista o vídeo no site “Folha Política” em http://www.folhapolitica.org/2017/05/chip-besta-666.html