Levy Fidélix se defende de acusações sobre eleições do PRTB

Após a Justiça determinar novas eleições partidárias, o presidente nacional do PRTB diz que membros do diretório que não apareciam no sistema do TSE não precisavam estar lá

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Desde março, o presidente nacional do PRTB, Levy Fidélix, é acusado na Justiça de ter vencido as últimas eleições para o Diretório Nacional da legenda, em 2012, em uma chapa na qual 12 membros não eram filiados ao partido. Segundo correligionários e ex-correligionários, que o acusam, os nomes não constavam na lista de filiados do partido no sistema Filiaweb, do TSE.

Juiz manda PRTB realizar novas eleições

Em junho, o juiz Daniel Felipe Machado determinou que fossem realizadas novas eleições no partido. “Eu obedeci e refiz as eleições em 30 dias”, afirma Levy. “A única falha que ele (juiz) reputa a mim é que eu não o comuniquei das novas eleições, mas nós entendemos que já tínhamos feito o que ele já tinha falado.” Na quinta-feira, dia 26, uma nova sentença do juiz pediu que fossem realizadas novas eleições no partido e ele decidiu, pela primeira vez, falar sobre o assunto. “Geralmente eu vou para o front. Dessa vez, eu usei essa tática jurídica. Eles me orientaram e disseram que não é uma boa tática você bater boca através de jornal.”

Quanto ao mérito das acusações, Levy se defende dizendo que os doze membros são filiados há anos ao partido e que ele não os incluiu no sistema antes das eleições partidárias por dois motivos: um problema técnico do Filiaweb e porque membros do Diretório não precisariam estar no sistema. “O partido só precisa mandar para o Filiaweb aqueles que são candidatos. Dirigentes não”.

Levy-Fidelix-se-defende

ÉPOCA – Como o senhor responde às acusações de ter vencido as últimas eleições para o Diretório Nacional com uma fraude partidária?
Levy Fidélix –
 Primeiro que nunca foi fraude. Não é fraude. Filiações partidárias são feitas na base do partido, no município. Todas elas já estavam filiadas havia mais de dez anos no partido. Todas elas estão comprovadamente filiadas. O TSE tem vários sistemas que são modernos. Antes se levavam as filiações à zona eleitoral. O Filiaweb foi criado para ser uma linha auxiliar ao partido. O partido só precisa mandar para o Filiaweb aqueles que são candidatos. Dirigentes não. O Filiaweb foi construído em 2009 e passou a funcionar em 2010. Esse cidadão (Jorge Periquito, um dos que movem a ação) quer fazer espuma, já que foi desfiliado do partido há três anos. Ele quis se vingar. Ele quer aparecer, principalmente em um momento como esse de filiações. Filiei Joaquim Roriz nesta semana, inclusive. Esse cara se aproveitou de uma fraqueza do sistema, em que não existe fraude, nem algum tipo de irregularidade. É um partido de 20 anos, do qual ele só participou por três anos. Ninguém no meu partido ganha salário. Eu tenho só 17 funcionários.

ÉPOCA – O que o senhor achou das duas sentenças dadas pelo juiz até agora pedindo que fossem realizadas novas eleições no PRTB?
Levy Fidélix – 
Da primeira vez, nós aguardávamos que ele (o juiz) fosse reconhecer as falhas do sistema, até mesmo porque as pessoas todas já participaram outras vezes do próprio diretório. Achamos uma intervenção indevida. Já havia transitado em julgado todo e qualquer tipo de recurso junto ao próprio TSE. Aí, o juiz interveio em um órgão nacional, com todas as contas aprovadas. Achamos estapafúrdias as acusações. Nunca vi transformarem um partido de quase 20 anos em transitório. Já recorremos, porque eu fiz o que ele pediu. Eu obedeci e refiz as eleições em 30 dias. A única falha que ele reputa a mim é que eu não o comuniquei das novas eleições, mas nós entendemos que já tínhamos feito o que ele já tinha falado. Eu cumpri em 30 dias e publiquei em um jornal de grande circulação, com sete dias de antecedência, as novas eleições. Eu obedeci e disse: depois vou buscar a reparação devida. Depois de transitado em julgado.

ÉPOCA – Nessa nova eleição, o senhor retirou os 12 integrantes que não constavam no Filiaweb da chapa?
Levy Fidélix –
 Evidente. Sem os 12. Mas os próprios 12 se sentiram prejudicados e entraram com uma ação. Somos excluídos por que, se já somos filiados? Em nenhum momento o TSE foi chamado a intervir. Isso é estranho.

ÉPOCA – Ele pediu que o TSE para se pronunciasse com relação às certidões de filiação do Filiaweb, não foi?
Levy Fidélix –
 Só com relação às certidões. Não com relação aos diretórios. Eu acho que o juiz não entende de matéria eleitoral. Essas pessoas que entraram com a ação não têm direito de entrar contra nada, porque não pertencem ao diretório. Um filiado não pode. O filiado é filiado para eleger “diretorianos”. Mas depois, só os “diretorianos” é que podem questionar.

ÉPOCA – Por que o senhor optou por não se pronunciar sobre esse assunto até agora?
Levy Fidélix – 
Foi uma determinação do meu jurídico. Eu só estranho que o juiz tenha levado 70 dias para se pronunciar, já que nós cumprimos a decisão e fizemos a nova eleição para o diretório em julho, como ele pediu que fosse feito. Geralmente eu vou pro front. Desta vez, eu usei essa tática jurídica. Eles me orientaram e disseram que não é uma boa tática você bater boca através de jornal.

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Fonte: Revista Época